quinta-feira, 6 de agosto de 2009

De textos que querem dizer alguma coisa


Em que o autor redige uma carta aberta aos leitores do blog, tratando do fim do próprio (do blog, não do autor), se despede e revela o porque do esdrúxulo nome da página.

Certo, como qualquer um pode notar, há muito tempo que eu não escrevo nada nesse blog, por isso eu cheguei à uma conclusão: o "Tédio Criativo" vai acabar.
Não, não que a partir de agora eu vá deixar de ter crises de inspiração em momentos de tédio, não vou, isso é impossível. O blog é que vai virar um tomo incompleto na minha prateleira virtual.
Outro dia eu estava andando pelo centro de BH (ah, como eu adoro o centro, lugar bonito, cheiroso, gente bonita, cheirosa) e tive uma epifania, eu converso comigo mesmo! Tá, isso não é novidade, eu sei, você sabe, todo mundo sabe, e muita gente conversa consigo pelo mundo, também não é novidade que eu me respondo, num texto antigo daqui do blog isso é evidente. Mas a conclusão que eu tirei dessa epifania foi: eu me dou palestras e debato comigo mesmo. Okay, isso parece mais absurdo que o normal, mas foi o único jeito que eu encontrei pra descrever o que eu faço. Assim, eu chego às conclusões mais interessantes que eu poderia tirar do mundo. Uma cronica mental. Por isso, e pelo meu gosto por coisas, objetos, trejeitos e maneiras antigas, eu resolvi fazer um favor a essas cronicas e publicá-las em algum lugar. Com isso, o Tédio Criativo chega ao fim, e um novo blog vai tomar o lugar dele na escrivaninha da minha cabeça, com ideias que já vão se formando. Algo que contribuiu pra formação dessas ideias é o fato de eu ainda estar sob a influência de O Nome da Rosa, livro que eu acabei de ler, escrito em forma de uma grande cronica dos acontecimentos presenciados pelo seu autor. Quem já leu deve até mesmo ter reconhecido a forma do cabeçalho desta postagem.

O novo blog deve ter a mesma inconstância de publicações que este moribundo, e vai contar com cronicas
e cartas, registrando o mundo e o dia-a-dia, o meu, o de amigos, o de pessoas desconhecidas na rua, pra quem eu inventar uma história. Eventualmente ele vai contar com a participação dessa gente blogueira da lista do lado (ou não), escrevendo sobre si, pra si, pra mim, sobre mim, sobre outras pessoas, para outras pessoas, sobre seus blogs, sobre o mundo, para o mundo.
É isso meus amigos, últimas linhas da última postagem desse blog de existência curta. Essas páginas devem continuar existindo, ainda que guardadas como páginas sem livro, enquanto o servidor do Blogger permitir isso. Ah, sim, não me esqueci, eu ainda devo a explicação para o título do Blog. Teoria do Tédio Criativo foi minha adaptação ao nome do episódio "Unemployment 2 (or Theory of the Leisure Ass)", da brilhante série Mission Hill. Não vou narrar os pormenores do episódio ou as ligações dele com o blog, mas quem sabe isso não vire uma postagem futura...
Bem, é isso. O último a sair, que apague as luzes.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

De uma conclusão a que se chega


Caraio, eu tenho muito pra ler... esse povo aí do lado produz demais
.

sábado, 31 de janeiro de 2009

De viagens; aprendizados e trilhas sonoras


Bem, para os poucos incautos que possam acompanhar este blog mas não a vida pessoal deste que vos escreve, eu devo dizer antes de mais nada que nos últimos 2 meses estive entre viagens a BH e de volta a São Paulo com o objetivo de ser torturado, digo, avaliado no vestibular. Isso talvez explicasse a ausência de textos novos, e eu agradeço se você preferir acreditar nisso, ao invés de saber que minha preguiça é grande a ponto de me afastar tremendamente de surtos criativos.
Dito isso, sigamos com a programação normal da postagem.

***

Provavelmente todos devem concordar que viajar é ótimo, e o que há de melhor em viajar é o aprendizado que você obtém, não de livros, guias ou museus, mas dos lugares e pessoas que você vê e conhece, e em pessoas inclua a si mesmo, porque viajar é, também, se conhecer. E o que você pode aprender em 3 semanas quando sua cabeça já está cheia de coisas que você deveria ter aprendido em um ano? As coisas mais variadas, meu amigo, por exemplo, você sabia que existe gente que gosta de usar o banheiro sem roupas? Em lugares comunais! Desagradável, mas é verdade, a mais pura e desagradável verdade. Okay, mas o que eu aprendi mesmo é que você pode fazer amigos das maneiras mais variadas. Amigos a distância, que você não vê a hora –e não se arrepende– de encontrar, e amigos valiosos que você não conheceria em outras circunstâncias, mas que se tornam amigos por estarem passando pelas mesmas situações que você. E eu agradeço aos de ambas as categorias. Vocês sabem quem são.
Voltando ao assunto principal, muitos, ainda, devem concordar que, numa viagem, a melhor companhia (ou uma das melhores) para alguém é a música, e claro, com este viciado em música não poderia ser diferente. Ocorre que meu companheiro de viagem –e por boa parte da estadia em BH– foi Mr. Nat "King" Cole.
Pra mim, não existe surpresa mais agradável pro bom viciado em música que descobrir uma boa nova música velha, especialmente em um álbum que você tenha há algum tempo, assim como não há nada melhor que uma música que fale por você.
Eis que em 2008, o jornal Folha de São Paulo permitiu aos seus leitores se presentearem com uma coleção de livros/cds intitulada Clássicos do Jazz, brilhantemente escolhida e produzida (não consegui encontrar uma imagem, mas os cds são pretos e produzidos como miniaturas dos antigos vinis, uma maravilha pra quem gosta do climão vintage), dos quais eu fiz uma pequena seleção para a viagem, e entre os artistas estava este senhor, nascido Nathaniel Adams Coles no Alabama, EUA, que mais tarde recebeu merecidamente o "título" de King, o rei.
A nova velha música é "I Wish You Love", versão ao vivo, gravada em apresentação de Mr. Cole no Sands Hotel em 1960, álbum usado pela Folha de SP como o volume 1 de seus "Clássicos do Jazz" com letra adaptada por este humilde estudante de artes visuais (ah, sim, eu passei).
Aproveito para oferecer essa música a uma amiga que eu amo e pra quem, acima de tudo, eu desejo amor. Bem, você também sabe quem é. Espero que gostem:



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Adeus
Não vamos ser alvo para dor
Uma história acaba aqui
mas uma amiga terei em ti

Adeus
Que nossos corações fechem o dia
Mas antes de você partir
quero apenas te dizer que

Te desejo uma primavera de canção
para alegrar seu coração
E também um beijo
mas eu desejo
que você ame

Um bom refresco no calor
e um recanto acolhedor
Te desejo o bem e
mais que bens
que você ame

Meu coração diz e eu aceito
que eu e você não era o certo
Com meu melhor, então
de coração
te deixo ir

Te desejo abrigo quando chover
e uma lareira pra te aquecer
E no inverno
o que eu quero
é que você ame

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

De mudanças


Dedicado a uma estrela brilhante, e a histórias que terminam num prólogo.


"Silva in lumine

Lunae arcana est
Domus mea
Silva in lumine
Stellarum est"

Em um tempo em que o mundo era diferente, antes do tempo dos homens, em que o céu era mais próximo da terra e tudo ainda procurava seu lugar, havia um certo lobo, e, como tantos outros, esse lobo vivia em uma floresta e se movia pela noite com a habilidade dada por séculos de instintos já preservados em si.
Ocorre que, diferentemente da maioria dos outros lobos, este era um que vivia sozinho. Certo dia, nas suas andanças pela floresta em que vivia, o lobo se deparou com uma pradaria e pela primeira vez conseguiu ver o céu sem qualquer interferência das árvores ao seu redor. Já havia visto o céu antes, apenas não numa imensidão como aquela, mas nas pequenas clareiras do seu lar. Naquele momento o lobo observou a maior amplitude que jamais imaginou, e naquele grande espaço observou pela primeira vez, em seu ainda curto tempo sobre a terra, uma estrela, mas não uma estrela qualquer, havia nela qualquer coisa que ele não podia descrever, não na linguagem dos lobos. Aquela era a estrela mais brilhante do céu.
O lobo, então, passou a ir todas as noites à pradaria, apenas para observar e admirar a estrela. Tudo o que ele queria era estar próximo daquela luz, daquele brilho. E assim o lobo passou a levar sua vida, encontrando tudo o que precisava em torno da pradaria. E muito tempo passou desde então, quando, uma noite, indo a um pequeno lago na região da pradaria, ele reparou ao longe que o lago estava iluminado. Aproximando-se dele, o lobo percebeu que era o reflexo da lua, e então notou como ela iluminava todos os arredores. Ainda com a estrela na cabeça, o lobo, entretanto, não pôde evitar apreciar aquela luz.
Agora ele estava encantado tanto pelo brilho da estrela quanto pela luz da lua, e não podia -- e nenhum outro ser no mundo poderia -- decidir qual delas ele estimava mais. Gostava da constante inconstância da lua, das suas mudanças e, como qualquer lobo, se sentia próximo dela. A lua o alegrava de maneira imensurável. A estrela era uma paixão mais antiga, assim ele sentia algo diferente, como se houvesse uma ligação muito forte com ela, seu brilho era permanente, embora parecesse diminuir certas noites, para aumentar de intensidade logo depois e animá-lo como sempre fazia. A estrela o tocava de uma forma inimaginável. De certa forma, ambas possuiam grandes semelhanças.
Dividido e confuso, tudo em que ele podia pensar era em como seria bom poder voar e se aproximar do firmamento, aquele véu de onde pendiam suas paixões e que se tornara seu sonho, sem, no entanto, se empenhar em qualquer tentativa de realmente se juntar a lua ou estrela, e ambas passavam a se afastar. Era agora época de cada coisa encontrar e se fixar em seu espaço, o tempo passava, o tempo, este que sempre se encarrega de efetivar as mudanças. Estrela e lua já haviam encontrado seus lugares, e assim o lobo teve de perceber que aquele não era o seu. Desde então o mundo mudou, se tornou mais como o conhecemos e as coisas se tornaram o que são hoje, a lua iluminando a noite e se escondendo periodicamente, as estrelas enfeitando o céu, os lobos caçando nas florestas em que vivem, à luz da lua e sob o céu estrelado ao fundo.

E quanto àquele lobo? Ele certamente encontrou algo mais que o tocasse da mesma forma que o brilho da estrela, e viveu bem enquanto podia admirá-la, mesmo que não da mesma forma e com todas as esperanças da primeira vez em que esteve na pradaria.


Assim se conta a história do lobo. Como não existem verdades absolutas e fatos podem ser contados de maneiras diferentes, não se pode dizer que seja uma história, mas parte de uma.


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De reflexões e devaneios


"A Arte de Curar Pelo Espírito" ...talvez com um médico fantasma. Agora, quanto a "Arte", sei lá... um médico fantasma que pinte nas horas vagas? Eu podia usar isso num post novo do blog, não tenho tido idéia nenhuma pra escrever lá... save meeeeee ...mas pra onde isso podia me levar? Não acho que eu tenha alguma coisa interessante pra comentar sobre livros desse tipo. Tá, vou tentar pensar no que escrever, espero que eu não esqueça até chegar em casa. Aliás, o que será que... wake me up! Será que... será que o que, mesmo? Será que aquele idiota percebe que ele tá parado na frente da porta mesmo com um espaço vago enorme no corredor? Era uma boa hora praquele aviso de "passageiro parado na região das portas, utilize o corredor, evite atrasos". Que estação é essa? Nossa, ainda?! Tsc, não tô no clima de ouvir essa música, que mais que eu tenho aqui? Hum, essa é boa. [Próxima estação, Brigadeiro]. No que eu tava pensando mesmo? Ah, sim, no título do livro da tiazinha aí... Ah, meu, que isso, esse cara não tem noção de espaço? Começar a bater o pé pra ver se ele enche o saco e fecha as pernas, odeio gente que não tem noção de espaço. Ahn... ah, sim, o lance do médico fantasma e da cura bla bla bla... Carai, fi! Quequiaquilo?! Não tem como ser verdade uma coisa dessas, isso não é uma mulher, é uma estátua grega que tomou vida! Eu nunca conseguiria uma dessas, é muita areia pro meu velho Ford, mas que é boa de olhar, é. Droga, me distraí de novo... ah, já sei, vou escrever sobre o que eu penso, literalmente, colocar meus pensamentos num texto. Direto, tudo que eu penso. Será que eu consigo não esquecer de tudo? Não, não, não vai! Espera até a próxima estação! Acho que eu devia apagar essa parte do texto se eu for escrev... ih, aí, hora de descer. Ah, que legal, cinco pras sete, vou ter que correr. E esse monte de gente pra subir ao mesmo tempo, ah, que saco, pior é aquele pessoal descendo um de cada lado! Porra, é tão difícil assim se manter à direita? Deviam colocar catracas e separadores de via nas escadas. Ah, super, agora ainda chega o outro trem, se eu for esperar essa manada subir não saio daqui hoje. Nananã... desculpa tio, quem vai agora sou eu.

Senhoras e senhores, eis aí alguns minutos dentro da cabeça deste que vos escreve. Meio desordenado, de fato, mas ainda não aprendi a esquematizar o que eu penso.

P.S.: Sim, era Bring Me to Life, do Evanescence, que eu ouvia no começo desse absurdo narrativo.